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Mudanças trabalhistas quase nunca começam nas empresas. Elas começam no Congresso. Mas terminam no RH. Nos últimos meses, dois dos maiores mercados da América Latina decidiram rever as bases das suas relações de trabalho. A Argentina aprovou uma flexibilização estrutural: simplificação de contratos, revisão de indenizações, ampliação de mecanismos de jornada. O México, por outro lado, avançou na direção oposta: redução gradual da carga horária semanal, reforço ao equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, maior controle sobre cumprimento de jornada. Dois lado de uma mesma moeda: o mercado de trabalho latino americano.
Porém, vamos ser sinceros, são dois caminhos distintos. Dois modelos econômicos diferentes. Mas há um ponto em comum: ambos sinalizam que a relação entre empresas e profissionais está em transformação. E quando a regra muda, o comportamento muda, mesmo que não seja no Brasil.
A discussão não precisa e, não deve ser ideológica, pelo menos nesse canal. O que interessa aqui é o impacto prático. Reformas trabalhistas são, antes de tudo, instrumentos de política econômica. Elas influenciam no custo de contratação, percepção de segurança, expectativa de carreira, mobilidade profissional e competitividade regional.
A Argentina aposta que menos rigidez pode estimular formalização e crescimento. Ao reduzir encargos e flexibilizar contratos, tenta diminuir o custo de risco para quem contrata. Em tese, empresas ganham margem para expandir, testar modelos, contratar com menos receio de passivos futuros, porém o trabalhar perde direitos adquiridos, que fazem a diferença na saúde mental e até financeira das famílias. Não é à toa que os protestos seguem fortes em toda a Argentina.
Em contrapartida, o México aposta que produtividade e qualidade de vida podem caminhar juntas. Ao propor a redução da jornada semanal de 48 para 40 horas de forma gradual, sinaliza que competitividade também pode ser construída pela atratividade do modelo de trabalho. Em um mundo que cada vez lida com mais burnouts, mais mulheres saindo do mercado de trabalho por conta das jornadas presenciais e uma longa discussão sobre saúde mental e física, já antiga em países europeus, traz uma visão mais humanista para o trabalho.
Independentemente do juízo de valor, ambas as decisões geram um efeito inevitável: aumentam a consciência do profissional sobre suas opções.
E quando o talento passa a comparar modelos, carga horária, estabilidade, flexibilidade, benefícios, a mobilidade cresce e é aqui que queremos chegar. Mobilidade não é apenas mudança de país. É mudança de empresa, de setor ou até de carreira.
E pode não parecer, mas para quem contrata no Brasil, isso não é um assunto distante.
Empresas que disputam talentos qualificados já competem em um ambiente regional e, em muitos casos, global. Desenvolvedores, especialistas financeiros, executivos, profissionais técnicos altamente capacitados não estão limitados geograficamente. Eles observam tendências. Avaliam propostas e diariamente recalculam riscos e a saúde mental envolvida no processo.
O ponto crítico é que mudanças estruturais no entorno alteram expectativas mesmo onde a lei não mudou. Se parte da região flexibiliza relações, profissionais passam a considerar ambientes mais dinâmicos. Se parte da região fortalece equilíbrio de jornada, profissionais passam a exigir melhor qualidade de vida.
Em ambos os casos, o resultado é pressão sobre a estratégia de atração e retenção de talentos. Isso exige uma reflexão que vai além do compliance.
Não existe resposta certa universal. Existe coerência estratégica. O erro é permanecer inerte enquanto o contexto global se transforma.
Há um segundo ponto menos discutido, mas igualmente relevante: reformas trabalhistas costumam aumentar o volume de movimentação profissional no curto e médio prazo. Profissionais testam o mercado e empresas ajustam estruturas. Sim, há reacomodação. Inclusive, profissionais estrangeiros questionaram isso na Argentina. Afinal, quais leis valem para mim?
É em momentos de mudança, como o que esses dois países estão vivendo agora, que o RH deixa de ser operacional e se torna estratégico. Enquanto reformas legais mudam o ambiente externo, a qualidade da decisão continua sendo interna, bem como adaptar quem já está na empresa as novas leis, jornadas, benefícios ou extinção deles.
Em cenários de transformação, três capacidades passam a diferenciar empresas que apenas acompanham daquelas que lideram as jornadas de recrutamento:
A discussão sobre Argentina e México não é sobre copiar modelos, mas sobre compreender que a América Latina vive um ciclo de revisão das bases do trabalho e quando as bases são revisadas, o mercado não espera e costuma também entrar em movimento.
A pergunta não é se o Brasil seguirá uma direção ou outra. No momento, nossa maior discussão é sobre a jornada 6×1. A pergunta é: sua empresa está preparada para um talento mais consciente, mais comparativo e mais disposto a se mover? Porque esse é o cenário que estamos vivendo hoje. E, nem todos percebem, mas reformas podem até mudar leis. Mas quando o RH traz estratégia, é capaz de mudar resultados antes mesmo que essas mudanças aconteçam.
O que você, como RH, acha dessas mudanças? Compartilhe com a gente em nossas redes sociais. Queremos ouvir sua opinião.
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